Dia Internacional da Mulher: “Mulheres na Resistência” gritam por direitos e igualdade nas ruas de Itajaí

Marielle Franco esteve presente nas falas dos manifestantes durante o ato

Confira a cobertura fotográfica completa aqui: https://flic.kr/s/aHsmwug1Gf

Dia de respeito. No mundo todo, atos remetem ao dia 8 de março para reconhecer conquistas históricas na luta pelos direitos das mulheres. Em Itajaí, cerca de 200 pessoas foram às ruas, neste sábado (09), com cartazes, adesivos e caras pintadas para combater a violência contra a mulher e discutir causas feministas. As atividades iniciaram em frente ao Museu Histórico e seguiram até o Mercado Público.

A manifestação chamou a atenção de quem passava no local. Pessoas de diferentes gêneros, idades e etnias se reuniram para gritar por direitos e igualdade e engajar pessoas causa contra os casos de feminicídio, abusos e violência registrados em todo território nacional.

Protesto Dia das Mulheres 2019 em Itajaí – Créditos Bruna Bertoldo

Tayná Iaconis Braga, 29 anos, integra o grupo Mulheres na Resistência, o Setorial de Culturas Afro-brasileiras e também o coletivo Frente Negra da Universidade do Vale do Itajaí. Para ela, o problema é cultural e por isso a presença masculina é importante.

“Eu entendo o que eu não quero pra mim, mas eles não entendem o que não podem fazer comigo. Além deles, precisamos atingir também quem não entendeu que está sendo oprimida”, comentou. “Enquanto não incomodarmos, não fizermos barulho, eles não vão entender que estão oprimindo e nós também não vamos saber que somos oprimidas”, concluiu.

Daniel Olivetto, de 39 anos, participou do ato e acredita que essa é uma luta de todos. “Deixou de ser uma batalha só de vocês, mulheres. É uma luta minha como LGBT, da comunidade negra. É uma luta pela vida”, argumenta.

Protesto Dia das Mulheres 2019 em Itajaí – Créditos Bruna Bertoldo

Durante o ato, manifestantes relembraram o caso de Marielle Franco, vereadora do PSOL no Rio de Janeiro morta em 14 de março de 2018. Após quase um ano do crime, as perguntas nos cartazes permanecem sem resposta: Quem matou Marielle? E quem mandou matar?

“A mulher negra não luta só por ser mulher, a gente luta também por ser negro. Marielle representou as mulheres negras e o grito dela, mesmo interrompido, não se calou. O grito de Marielle se proliferou. Eu sinto ela aqui”, destacou Tayná.

Protesto Dia das Mulheres 2019 em Itajaí – Créditos Bruna Bertoldo

Protesto Dia das Mulheres 2019 em Itajaí – Créditos Bruna Bertoldo

Quem passou pelo Calçadão Hercílio Luz pôde observar a exposição de 183 calçados que carregavam os casos de feminicídios registrados em 2019. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o quinto país do mundo que mais mata mulher pelo simples fato de ela ser mulher. Entre os estados brasileiros, Santa Catarina é o segundo com maior taxa de estupros registrados.

Exposição com 183 calçados para simbolizar o número de feminicídios até fevereiro de 2019. Créditos: Bruna Bertoldo/Coletivo Jornaleiros

As apresentações culturais conduziram as primeiras horas do evento. O calçadão da Hercílio Luz deu ouvidos à poemas, músicas e textos autorais, além de pessoas públicas ativas na causa. Relatos de vítimas de violência contra mulher foram espalhados em faixas para facilitar a leitura de quem passava pelo centro comercial da cidade.

Protesto Dia das Mulheres 2019 em Itajaí – Créditos Bruna Bertoldo

No trajeto até o Mercado Público, falas sobre machismo, estupro, violência e direitos das mulheres foram reforçadas. Também se ouviu gritos contra o presidente da república, Jair Bolsonaro. Frases como “machistas não passarão”, “fascistas não passarão”, “se cuida seu machista pois a América Latina será toda feminista”, além de dados oficiais sobre feminicídios e violência foram gritados em coro pelos manifestantes.

A professora aposentada e simpatizante do movimento “Lula Livre”, Geonete Bernardi Peiter, 65 anos, acredita que “a democracia se faz na luta e é por isso que estamos na rua: pelos direitos das mulheres e pela democracia”.

Protesto Dia das Mulheres 2019 em Itajaí – Créditos Bruna Bertoldo

Protesto Dia das Mulheres 2019 em Itajaí – Créditos Bruna Bertoldo

O ato convocado pelo coletivo Mulheres na Resistência teve em sua organização lideranças de partidos, movimentos sociais, seguimentos organizados e religiosos. De acordo com Juliana Castro Ayres, 32 anos, o objetivo é lutar a favor das mulheres trabalhadoras.

“Lutamos contra o feminicídio, naturalizado no nosso país; contra a reforma da previdência; e a favor da igualdade de gênero”, destacou a advogada integrante do grupo e filiada ao PSOL de Itajaí, Juliana.

As atividades em alusão ao Dia da Mulher continuam neste domingo (10) com o Sarau “Liberte seu Imaginário“. Na terça-feira (12), terá roda de conversa no Museu Histório Itajaí sobre feminicídio, previdência e ramificações do feminismo e na quinta-feira (14) o Ato Alusivo à Marielle Franco organizado pelo Setorial LGBTQI+ do PSOL de Itajaí com apoio do grupo Mulheres na Resistência.



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Ricardo Boecht, o jornalista que partiu e levou um pouco da profissão


O ano de 2019 começou com tragédias que chocaram o país e o mundo. A queda do avião que transportava o jogador argentino Emiliano Sala
no mar, o rompimento da barragem em Brumadinho, em Minas Gerais, o incêndio no CT do Flamengo e, quando as coisas pareciam ter acalmado, a notícia de que o jornalista Ricardo Boechat havia morrido na queda de um helicóptero comoveu à todos.

De imediato, pessoas do meio jornalístico, colegas de trabalho e telespectadores prestaram condolências e manifestaram sentimentos a respeito da grande perda. Sim, pode-se dizer que foi como se um pouco do jornalismo brasileiro tivesse morrido junto. Vamos conhecer um pouco mais o grande Boechat.

TRAJETÓRIA

Ricardo Boechat tinha quase 50 anos de trajetória no jornalismo e era um dos profissionais mais premiados da área. Ele começou a carreira em 1970 no Diário de Notícias, do Rio, jornal já extinto. Passou pela maioria dos grandes jornais, canais de televisão e rádios do país. Por último, era âncora do Jornal da Band e na BandNews FM. Também era colunista na revista IstoÉ.

Boechat ganhou três prêmios Esso, o mais importante da área. O primeiro foi em 1989, com uma reportagem sobre a corrupção na Petrobrás, pela Agência Estado. Os outros foram em 1992, na categoria Informação Política e em 2001, na categoria Informação Econômica. 

Depois do Diário de Notícias, trabalhou na coluna de Ibrahim Sued, no jornal O Globo. Em 1983, integrou a equipe da coluna Swann, onde assumiu titularidade dois anos depois. 

Em 1987, trabalhou na Secretaria de Comunicação Social do Rio de Janeiro, durante a gestão Moreira Franco e, depois, foi para o Jornal do Brasil. Nos anos 80, trabalhou na filial carioca do jornal O Estado de S. Paulo. E em 1989, voltou pra coluna Swann, do jornal O Globo, que, mais tarde, passou a se chamar Boechat.

Tornou-se colunista do Jornal do Brasil e foi diretor de redação durante um ano. Também foi colunista no SBT e do jornal O Dia, do Rio, além de ter sido professor da Faculdade da Cidade.

Em 1997, ganhou um quadro de opinião no jornal Bom Dia, Brasil, da TV Globo. Logo depois, se tornou diretor de jornalismo do Grupo Bandeirantes no Rio. Em 2006, virou âncora do Jornal da Band e começou, também como âncora, na BandNews FM logo em seguida.

Outros prêmios conquistados: White Martins de Imprensa, nove Comunique-se (2007, 2010 e 2012, na categoria âncora de TV; 2006, 2008 e 2010, como apresentador/âncora de rádio; e 2008, 2010 e 2012, como colunista de notícia).

Vai deixar saudades

Nas publicações em redes sociais, as pessoas fizeram questão de destacar seu jeito único de fazer o jornalismo.

“Como amar Ricardo Boechat sendo que ele me incomodava religiosamente em todas as manhãs? Como odiar Ricardo Boechat se ele me fez ver como impossível a missão de viver os dias sem discutir via rádio com ele de forma absolutamente intensa e, por vezes, até um tanto deselegante?”, diz um trecho do texto disponível no Hypeness.

O tom crítico e sem se deixar intimidar por quem quer que fosse, também foi uma marca registrada de Boechat. “O que eu mais admirava nele era a forma de criticar, o jeito Boechat de fazer as críticas, independente do assunto que fosse”, disse o comentarista Júnior, no SporTV.

E para nós, jovens jornalistas calouros na profissão, o conselho experiente de quem sabia o que dizia e fazia, era o seguinte: “preparem-se para sofrer, mas um sofrimento que dá sentido à vida”. E assim, seguiremos lutando pela profissão, pelo espaço, pelo reconhecimento que merecemos. Sempre lembrando de quem foi ele, Ricardo Boechat.

#BoechatEterno

Encerramento do Jornal da Band.


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A Guerra da Ideologia Política

Direita ou esquerda: de que lado da história você está?

Em tempos de eleições, o brasileiro, mesmo que com todas as suas forças, não encontra maneiras de fugir de dois caminhos ideológicos chamados de Esquerda e Direita mesmo que muitos optem pelo atalho chamado Centro.

Neste cenário, tomar uma posição definirá a ética e, relativamente, o caráter de um indivíduo. Decidir entre a Direita, a Esquerda e o Centro, pode ser exemplificado como objetos colocados dentro de uma caixa. No lado de fora dessa caixa, encontramos etiquetas, e em cada etiqueta existe uma lista de características padronizadas e pré-definidas para caracterizar o objeto que está dentro da caixa.

Assim como no nosso país impera a democracia – sistema político em que os cidadãos elegem os seus dirigentes –, esse texto tem o intuito de expor as ideias desses espectros políticos e você, leitor, poderá formar sua própria opinião de maneira democrática e independente.

Segundo Flávio Ramos, sociólogo político, a concentração em apenas dois lados poderia ser saudável, desde que tivéssemos um debate que girasse em torno de propostas. No entanto, a estreiteza do discurso político é evidente. As opiniões tornaram-se objeto de histeria coletiva e os debates nas redes sociais comprovam isso. “Não há respeito pela posição das pessoas e as agressões virtuais se proliferam. Não estamos num bom momento eleitoral”, destaca.

O sociólogo define quem é de esquerda ou direita a partir da consciência que as pessoas têm sobre a importância do Estado. Quem se identifica com menor grau de intervenção do Estado na economia e na sociedade, tende a aceitar os postulados da direita. Quem defende uma participação maior do Estado, tende à esquerda.

O que a Direita pensa sobre isso?

De acordo com Fernando Fernandez, professor de Direito da Universidade do Vale do Itajaí (UNIVALI) – persona que se considera de direita -, é preciso, no primeiro momento, levar em consideração que teoricamente existem duas forças antagônicas e que esse antagonismo está no campo das ideologias. A questão de esquerda e de direita, ideologicamente, é algo superado há muito tempo.

“Neste momento, pelo menos no nosso país, noto que há uma luta feroz e impiedosa pelo poder. Da maneira como as coisas estão caminhando e como está deteriorando a nossa sociedade, a disputa é pelo cofre. Quem chega perto do cofre de uma maneira ou de muitas, acaba extorquindo ele.  Então isso não pode ter nada de saudável”, aponta.

Não existe hoje, no Brasil, absolutamente nenhuma disputa ideológica séria. O que persiste é uma proposta da direita, que propõe muita liberdade e pouca igualdade; e outra, vinda do lado da esquerda, sugere muita igualdade e pouca ou nenhuma liberdade.

“Hoje temos que fazer essas escolhas, é a realidade, é um ponto desagradável em que chegamos. Não que tenhamos que permanecer. Temos de encontrar uma terceira via e elaborá-la.”, define.

De acordo com o professor, isso reflete da pior maneira possível em nossa sociedade, por dividir os brasileiros. Há diversas divisões: propostas de homofóbicos contra homossexuais, de homens contra mulheres, de pessoas do Sul e  Sudeste contra nordestinos, de brancos contra negros, de ricos contra pobres e assim consecutivamente.

Na visão de Fernando, hoje não se vê o brasileiro debater os reais problemas do país, e sim questões de menor importância. “Ninguém tem na prática um plano objetivo para a administração pública. De um lado, tem o que se convencionou a chamar de liberalismo, neoliberalismo e assim por diante. Um liberalismo exacerbado, estado mínimo, que é a maneira mais simples de resumir. Do outro lado, a proposta é socialista, que sabemos que não deu certo em lugar nenhum do planeta”, diz.

O que a Esquerda pensa sobre isso?

Nahor Lopes, filósofo, se define como socialista democrático, no espectro político de esquerda. Seu raciocínio é baseado no  socialismo utópico e ele acredita na viabilidade da concepção tecnocrata mesclada com igualdade de oportunidades. Também defende veementemente a democracia como instrumento gerador de justiça e igualdade para os cidadãos.

“A rixa entre dois movimentos ideológicos de política é saudável em partes. O debate político é excelente em uma democracia, mas a polarização enfurecida de ideias é sinal que a própria democracia precisa se reinventar. Democracia, ao contrário do que todos pensam, não é o governo de tudo, mas o governo para todos”, pontua.

Na realidade, historicamente, as mudanças do país sempre estiveram nas mãos de elites: a independência, no pensamento de um príncipe descontente que queria ser rei e seus amigos da Maçonaria; a república, com militares e fazendeiros; a revolução de 30, as oligarquias de 3 estados; o golpe de 64, os empresários e os militares. As mudanças no país não tiveram rixas, mas ecos da “Casa Grande”.

Nahor indica outra questão: existe uma tradição muito personalista e pouco ideológica na escolha dos candidatos. O debate fica empobrecido, pois as opiniões que as pessoas possuem sobre as ideologias políticas são, em boa parte, empíricas e pouco embasadas em seus fundamentos teóricos.

“Hoje é possível encontrar uma situação dramática. Em vez de debaterem Locke, Adam Smith, Rousseau, Proudhon, Marx, eles xingam-se. As pessoas usam a política para legitimar a barbárie e seus preconceitos. Note que até o mercado financeiro age assim: quando os empresários não gostam de um determinado governo, enfraquecem a Bolsa. Isso é lamentável”, garante.

E há outro fator: o ano de 2013 não acabou. As pautas cidadãs que as pessoas colocaram nas ruas não foram atendidas. Os políticos profissionais não conseguiram – ou não quiseram – escutar as vozes.

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O esquerdista afirma que os posicionamentos da direita, tanto o liberalismo quanto o conservadorismo, tendem a valorizar demais o indivíduo e enaltecer a meritocracia. Muitas vezes, existem tendências selvagens de domínio e nisso também o socialismo utópico se diferencia, pois não é possível ter meritocracia em uma sociedade desigual desde os primórdios. É necessário igualar as oportunidades.

Nahor não considera que seu lado seja o único e ideal para o contexto social brasileiro, pois criou uma concepção aberta sobre isso. “Há diversos modos de chegar a igualdade social, e pode ser que o socialismo não seja esse caminho. É uma forma de cientificamente pensar a possibilidade do erro e melhorar, em uma visão popperiana[¹]. Mas penso, nessa concepção, estarem muitos elementos como, principalmente, a justiça social e a redistribuição da renda de forma justa aos cidadãos”, comenta.

[1] Karl Popper prioriza o aspecto metodológico no desenvolvimento científico.

Apesar do filósofo valorizar a liberdade política e de expressão, existem ideias do outro grupo consideradas inviáveis por ele. Algumas delas são a meritocracia e a individualidade extrema, caracterizadas como um erro social, que precisam  ser corrigidas, caso contrário abrirão ainda mais o campo para preconceitos e perseguições contra as minorias.

Atualmente, o Brasil pode ser considerado mais de Esquerda, Direita ou Centro?

Para Fernando Fernandez, o representante de direita desta reportagem, o Brasil não tem uma vocação política mais de esquerda ou de direita. O Brasil está sempre atrás de um guia. Desde Getúlio, o país continua atrás de um grande líder, no sonho de que alguém que resolva nossas mazelas.

“O brasileiro precisa amadurecer e se tocar que nossos problemas somos nós que temos que resolver, não temos que encomendar a solução a quem quer que seja. Temos que ter seriedade, responsabilidade: se esse pessoal não presta, temos que dar as costas a eles”, pontua.

Em partes, Nahor possui um pensamento parecido. Para ele é difícil definir se nosso país pode ser considerado mais de esquerda ou de direita, pois nunca tivemos uma educação política correta sobre isso. O filósofo diz que a maioria de nossos governos foram de direita, mas a população não saberia dizer as características desse espectro político. “Tivemos experiências nacionalistas, sociais-democratas e socialistas. Gilberto Freyre dizia que a grande característica do povo brasileiro é a miscigenação: penso que não só de cor, mas de ideias”, declara.

Quando se fala em Centro, Fernandez é da opinião que ele é o lugar onde as pessoas preferem estar no planeta. No Centro, em tese, estaria o justo. Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar. Nele estariam os meios termos, que poderiam agradar e desagradar a grande maioria da população.

Se é que o Centro existe, Nahor reconhece que, na realidade, encontram-se vários posicionamentos políticos. Não podemos ficar só nas opções esquerda e direita pois a ciência política é muito ampla. O anarquismo, o nacionalismo, a doutrina social da Igreja (subsidiariedade), não se encaixam em nenhum lado, por exemplo.

A política ensinada através da educação

Muito se discute sobre ensinar a política nas escolas e entrar em debate até mesmo a “escola sem partido”. Mas, para Fernando, a educação cívica é fundamental. A ausência dessas discussões desde cedo traz a falta de noção sobre a realidade do país e é considerada uma das principais causas das coisas que acontecem, mas ainda existem ressalvas.

“Não acredito que, se perguntar para qualquer pai se ele está mandando o filho para a escola para ser doutrinando politicamente, ele vá concordar com isso. Temos que amadurecer bastante esse aspecto para se ter uma matéria que possa falar algo a respeito. O que acho que tem que voltar é a educação cívica e moral”, afirma.

A questão vai muito além da simples proposta já apresentada. “O amor pelos símbolos pátrios, pela pátria ou pelo que eles podem representar é muito fraco. Está faltando um banho de civismo”, completa ele.

Em contrapartida, Nahor acredita que os temas políticos encontram-se diluídos nas disciplinas de História, Filosofia e Sociologia, além de algumas leituras na Língua Portuguesa. O complemento ideal, para ele, seria ensinar a Constituição Brasileira para esclarecer não apenas os temas políticos e cidadãos, mas também os direitos fundamentais.

A democracia oferece espaço para que múltiplas vozes sejam ouvidas. O que as pessoas esperam para o futuro precisa ser pensado dentro de princípios democráticos. Esse conjunto de ideologias e essa separação vêm a partir de grupos de pessoas que possuem um objetivo em comum.

Menosprezar as ideias de grupos opostos não só desvaloriza o ideal do grupo a que se pertence, como também transparece a imagem de um indivíduo intolerante. Na democracia, o governo é de todos para todos. É necessário pensar na democracia sob a perspectiva de pluralidade de ideias e organizações.

Então, de que lado você está?

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Precisamos falar sobre Depressão e Ansiedade

Texto: Viana

A campanha Setembro Amarelo pode estar na sua última semana de atividades, mas mexe com um assunto que deve ser tratado com a mesma importância todos os dias. De acordo com as estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), divulgadas em 2017, o Brasil é o país com a maior taxa de pessoas com transtornos de ansiedade no mundo e o quinto em casos de depressão.

A depressão afeta cerca de 11,5 milhões de brasileiros, isso coloca o país no topo do ranking de maiores casos de depressão da América Latina e o segundo nas Américas, atrás somente dos Estados Unidos. A pesquisa ainda aponta o Brasil como recordista mundial em casos de transtornos de ansiedade: 9,3% da população sofre com o transtorno. Ao todo, são 18,6 milhões de pessoas.

Mas como identificar se você ou alguém próximo pode estar sofrendo de depressão ou ansiedade patológica? E como procurar ajuda?

Talvez este texto possa te ajudar.

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Segundo a psicóloga Elis Domingues, professora do curso de Psicologia da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), é importante entender que a ansiedade por si só não caracteriza uma patologia (doença ou um sofrimento). Um exemplo claro seria aquela ansiedade antes de uma prova ou de um evento importante.

Já a ansiedade em nível patológico está ali com o sujeito grande parte do tempo. Ela prevalece em situações distintas e causa sentimentos como angústia, pavor e medo por antecipação, que podem resultar até em insônia e dificultar a qualidade de vida do indivíduo. Essa sim é aquela ansiedade que merece maior atenção.

Ainda de acordo com a psicóloga, para identificar se uma pessoa sofre de ansiedade patológica é preciso conhecer a rotina dela. Como ela se comporta diante de situações que são novidades e se essa ansiedade e a angústia a impede de exercer coisas que, para a grande maioria das pessoas, é algo normal. Isso pode indicar que ela precisa de ajuda.

Já nos casos de depressão, devemos saber diferenciá-la de uma tristeza corriqueira, que segundo a professora é até saudável. Então se a pessoa vive alguns momentos tristes, mas consegue exercer as atividades de costume e ter qualidade de vida para se relacionar bem com as outras pessoas, essa tristeza tende a se dissolver no dia a dia, e não caracteriza uma depressão. O que vai configurar depressão é quando essa tristeza se prolonga. Quando essa tristeza vai além daquilo que é saudável, que é normal, que é esperável.

Diferente da ansiedade, a depressão tem características mais visíveis. Alguns sintomas são a falta ou o aumento desenfreado de apetite, distúrbio do sono, dificuldades de se relacionar e de se comunicar, isolamento repentino, falta de interesse de sair de casa e de participar de atividades que geralmente pessoas da mesma faixa etária gostam de fazer.

Vale reforçar que essas situações devem ser levadas em consideração caso não faça parte do histórico desta pessoa durante o decorrer da sua vida. Como por exemplo, atividades que ela sempre fazia e hoje não faz mais. Ou seja, se a pessoa para a rotina dela em vários aspectos, já são sinais de um início de depressão.

Hoje, existem serviços públicos e instituições sem fins lucrativos que auxiliam pessoas que podem estar sofrendo. Agora que você já sabe identificar os sintomas desses dois transtornos, vamos te indicar algumas formas de ajudar ou pedir ajuda:

Centro de Valorização da Vida  (CVV)

O Centro de Valorização da Vida  (CVV) é uma associação sem fins lucrativos que oferece apoio emocional de prevenção ao suicídio para pessoas que desejam conversar com garantia de sigilo. Eles atendem todas as regiões brasileiras pelo número 188 e, assim como o serviço, a ligação também é gratuita de telefone fixo, celular e orelhão. A assistência é oferecida 24 horas, todos os dias da semana e também pode ser feita pelo site da instituição.

Rede pública de saúde

O mais recomendado a se fazer para ajudar uma pessoa com depressão ou ansiedade é encaminhá-la a um profissional qualificado, para que ela seja devidamente acompanhada, tratada e até medicada, de acordo com as suas necessidades. E que assim ela possa retornar a ter qualidade de vida.

Na rede pública de saúde, quem precisa de ajuda psicológica pode recorrer aos serviços da Rede de Atenção Psicossocial. Para receber atendimento, a pessoa deve se deslocar a uma unidade de saúde básica para ser encaminhada a um dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), conforme a sua necessidade. Para mais informações, você pode entrar em contato com a secretaria de saúde da sua cidade.

Facebook

No Facebook, existe uma ferramenta em que os usuários podem ajudar amigos quando perceberem publicações com tendências depressivas ou até mesmo suicidas. Caso se depare com esta situação, denuncie a publicação e siga essas instruções.

Entre em “Dar Feedback sobre esta publicação”, depois clique na opção “Suicídio e automutilação”, depois em “enviar”. Com isso a rede social oferece as seguintes opções:

  • Oferecer ajuda ou suporte;
  • Contatar um amigo;
  • Peça para verificarmos a publicação;
  • Ou enviar a publicação para ser analisada pelo Facebook;

Com a publicação denunciada, o Facebook enviará para seu amigo uma imagem de auxílios, números telefônicos de instituições especializadas e também dicas como a pessoa pode se abrir com alguém, ou mudar algumas atitudes do seu cotidiano. Não se preocupe, a denúncia é sigilosa e seu amigo não saberá que foi você.

Pronto! Você conheceu as instituições e os serviços públicos, e já pode ajudar ou pedir ajuda. Você que está vivendo momentos difíceis, conseguiu perceber que existem pessoas que se importam com você? Não passe por isso sozinho. Fale!

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Imagem e Simbolo oficial da campanha “Setembro Amarelo”

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O que separa o sensacionalismo da manipulação é a ética

Quando pensamos em jornalismo popular, logo nos remetemos à prática, pejorativamente chamada de sensacionalista, do jornalismo como prestação de serviço à população. A forma como o jornal atrai o seu público, de certa maneira, é considerada uma estratégia de aproximação em relação ao leitor. O jornalismo popular, mesmo não sendo necessariamente praticado por um jornal local e de pequeno porte, possui características que são mais raras em veículos de referência. Entretanto, este gênero jornalístico não faz uso, apenas, do recurso de sensações para estabelecer conexão com o seu público.

Como o nome já diz, o jornalismo popular é conhecido por tentar a aproximação do seu público com pautas com olhares diferenciados quando se trata de denúncias, prestação de serviços, assistencialismo e, inclusive, apresentação de pessoas comuns. A perspectiva oriunda de um veículo com estas características de aproximação procura, de certa forma, fazer jus à teoria que afirma que o jornalismo é o Quarto Poder, no sentido de que a prática profissional tem a missão de fiscalizar os interesses públicos. Por outro lado, o diretor-presidente do Le Monde Diplomatique, Ignacio Ramont, defende que o título de Quarto Poder está, atualmente, nas mãos dos donos das grandes mídias que, consequentemente, controlam o atual posto do jornalismo na sociedade: Quinto Poder.

Em meio a interesses políticos, ideológicos e comerciais, vemos uma ampla dificuldade, por parte dos grandes veículos, em equilibrar todas as origens de interesses que “chegam na redação”. Incluindo o interesse público, do público e os acima citados, é preciso ter um olhar minucioso em direção à balança de controle para que os Modos de Endereçamentos não sejam redigidos com uma diferença estampada na capa da edição da manhã.

Levando em consideração o conhecimento empírico adquirido ao longo da vida, já sabemos que, por incrível que pareça, não existe jornalismo imparcial. Existe, sim, uma isenção de ponto de vista do produtor de conteúdo. Sendo assim, o modo em que este conhecimento, até mesmo se existir consciência por parte do jornalista, é implicado na produção é que diferencia o sensacionalismo da manipulação, conceito em que erroneamente é usado como sinônimo atualmente.

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Se Lugares Falassem – Itajaí

Ao chegar em Itajaí, é quase impossível não se apaixonar pela hospitalidade dos seus habitantes, suas praias e também pela sua história. A cidade litorânea já passa dos 158 anos de existência e, a cada dia, surge mais uma história para se contar.

O Coletivo Os Jornaleiros foi pesquisar a história de Itajaí contada a partir dos principais pontos históricos. Clique aqui e confira a reportagem especial.

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O Lazer na Melhor Idade

No ano 2000, surgia um espaço importante para os idosos do bairro São Vicente, na cidade de Itajaí. Desde então, o Centro de Múltiplo Uso Victor Félix Deeke recebe vários alunos gratuitamente e oferece atividades de lazer para as pessoas da melhor idade.

O Coletivo Os Jornaleiros foi acompanhar um dia de atividades no local e os registros fotográficos você pode conferir neste link.

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